Ensolaramentos, engasgos e afins

Todo palhaço chora.

Então compreendi perfeitamente o que gerava a dor. Não era o corte com a ponta da faca, a topada na quina da cama, o amigo que não liga mais, o café que sujou o fogão, as palavras duras, as notícias na tv, obviamente isso soma-se ao fardo, mas não é ele em si. A dor era gerada pela sede insaciável do nada. Pois quando não se tinha o que queria sofria e quando conseguia almejava outra coisa para sofrer. E é por essa sede que os humanos consomem seus dias, pelos futuros que nunca virão ou que serão fadados quando chegarem. E a maior idiotice era perceber: eu também era um desses tais que nunca estava de barriga cheia.

Fernando Pessoa. (via capitule)

Mar morto

ciannuretto:

De onde vem essa
Dor
Do seu peito
Menina….

E mentes
Quando diz que não a quer mais,
Teus tristes olhos de criança
Pede por tradução…

Acho que és infeliz
Pois obriga o teu leito
A se esconder em suas lagrimas de sal…

Papéis Picados - Diogo Schuldiner

Pedro Gabriel - Eu me chamo Antônio

Pedro Gabriel - Eu me chamo Antônio

Toda segunda é meio lembrança, meio começo, meio cansaço, meio maçante, meio preguiça, meio esperança. Toda segunda tem alguma coisa ruim, alguma coisa boa e uma péssima fama.

Adriana Falcão

peitomorto:

Água esparramada em cristal,
buraco de concha,
segredarei em teus ouvidos
os meus tormentos.
Apareceu qualquer cousa
em minha vida toda cinza,
embaçada, como água
esparramada em cristal.
Ritmo colorido
dos meus dias de espera,
duas, três, quatro horas,
e os teus ouvidos
eram buracos de concha,
retorcidos,
no desespero de não querer ouvir.

Me fizeram de pedra
quando eu queria
ser feita de amor.


Hilda Hilst

Então foi ela quem procurou dar-lhe novo ânimo para ver o futuro, com uma frase que ele, em sua pressa estouvada, não soube decifrar: Deixe que o tempo passe e já veremos o que traz.

Gabriel García Márquez

Levaram as grades da varanda
Por onde a casa se avistava.
As grades de prata.

Levaram a sombra dos limoeiros
Por onde rodavam arcos de música
E formigas ruivas.

Levaram a casa de telhado verde
Com suas grutas de conchas
E vidraças de flores foscas.

Levaram a dama e o seu velho piano
Que tocava, tocava, tocava
A pálida sonata.

Levaram as pálpebras dos antigos sonhos,
Deixaram somente a memória
E as lágrimas de agora.

Cecília Meireles (via trechosdaliteratura)

Sobre ir embora de alguém

Ir embora de uma pessoa é das tarefas mais difíceis da vida.
Porque, antes de tudo e, principalmente, depois do nada, partir é repartir-se.
Como, por exemplo, ir embora de alguém? Vai-se de ônibus, trem, avião ou á pé, tropeçando na vontade tola de voltar?
Quantos quilômetros de tempo são necessários para estar longe o suficiente? É preciso mudar para outro estado para mudar o estado da alma?
Do que adianta não ver ninguém ao para trás, mas ver ao olhar para dentro?
Amor é sempre, e repetidamente, acabar de sair dos escombros.

Bruno P. ; Desestilo

Conversaram sem se preocupar com a hora, porque ambos estavam acostumados a compartilhar suas insônias…

O Amor nos Tempos de Cólera (via trecho-de-livros)

peitomorto:

Tudo queimava, nada aquecia

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